quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Líderes Espirituais



O problema de muitos líderes espirituais é que pensam deter o conhecimento de sua área, como se todos do rebanho fossem totalmente analfabetos espiritualmente... Como se só eles tivessem suas próprias experiências pessoais com Deus... Piora quando adentram no campo psicológico... Acabam se tornando arrogantes, intragáveis e irritantes... Mesmo falando bonito...

Cada pessoa tem a sua própria maneira de enfrentar a dor... Até porque, se os próprios líderes nunca estão disponíveis ou à altura das necessidades de suas ovelhas, cada um tem que se virar e se curar à própria maneira...

A beleza e maravilhosidade da Bíblia, é que ela revela um Deus que está sempre à altura das necessidades humanas, sejam quais forem os níveis... No fundo, só Ele pode dizer com absoluta verdade, qual a realidade de cada um... E sempre pelo prisma do amor... Porque conhece a origem, o meio ambiente, a constituição, as mazelas, todas as diferentes fases já vividas e limites de cada um... 

E alguns, quanto mais falam e agem, mais nos afastam... Mais dão motivos para escolhermos ficar só com Deus mesmo, mas longe de comunidades religiosas que julgam e condenam sem profundidade de conhecimento, ou de nada adiantam na vida daqueles que as frquentam... Sendo mais pedras e aprisionamento, do que alavancas e libertação...

Rosely T. Sales

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Heróis...


Não acho que seja errado só aceitar heróis... 
Porque se você mesma, 
durante longo tempo, foi heroína, 
menos que isso nunca será suficiente...

Rosely T. Sales


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Não me interprete mal...



Muitas vezes os sinais que o mundo nos percebe, aquilo que veem em nós, aquilo que interpretam de nossa pessoa, difere um pouco ou até muito, da realidade que nos mora, daquilo que realmente somos... Isso se deve, por vezes, por causa da dificuldade intelectual e experimental ou da diversidade de cosmovisão do outro; ou seja, dos níveis diferentes de cultura, de bagagem de vida e de visão de mundo daquele que acredita estar nos codificando... Ou por vezes, da dificuldade do próprio indivíduo que é objeto dessa interpretação, de exercer sua própria identidade ou de se fazer entender...

Exemplos:

  • Pessoas cuja aparência física, aparenta muito menos idade do que o verdadeiro tempo transcorrido;
  • Pessoas cuja bagagem emocional, é maior do que a idade cronológica;
  • Pessoas cuja idade intelectual é maior ou menor do que a idade cronológica;
  • Pessoas que têm visão de vida que difere demais do meio comum; do ambiente em que vivem.

Isso pode gerar muito desconforto para aquele que é interpretado, ou verdadeiros mal entendidos na sua própria comunidade...

É possível, por exemplo, acontecer de pessoas mais velhas acreditarem estar tendo sucesso numa conquista de alguém mais jovem, ingênuo e inexperiente, quando na realidade essa pessoa está no mesmo patamar cronológico, sexual ou emocional, ou até além daquele que elas acham que estão conquistando. Ou pessoas mais jovens, que pensam estar impressionando alguém que aparenta menor idade emocional, por conta de afinidades, gostos mais modernos, mas que não as alcançam em idade experimental. É o caso, muitas vezes, de pessoas que passaram muito cedo, por grandes tribulações; problemas com drogas; questões familiares, matrimoniais e sociais muito difíceis; problemas de saúde muito graves ou até experiências sexuais mais avançadas. Essas pessoas, acabam amadurecendo muito cedo, apesar da pouca idade, embora de repente, conservem o viço da juventude. É natural que no campo afetivo, social e sexual tenham maior dificuldade de se identificar, de se encontrar e até muitas vezes, de se envolver, por conta de problemas e relacionamentos passados, nem sempre bem vividos.

É possível também, por exemplo, o caso de pessoas que até certa idade, tiveram acesso a um bom nível de educação, mas que em certo momento foi interrompido pelas situações citadas acima, ocorrendo um hiato intelectual muito grande, regressando à ativa muito tempo depois. Durante um período, enquanto os problemas aconteciam, a pessoa viveu experiências alheias ao ambiente intelectual, acadêmico e profissional; passou por vales de depressão; picos de ansiedade; doenças incapacitantes; montanhas russas de sentimentos; situações de privação financeira; perdas emocionais e materiais; relacionamentos e vícios destrutivos; vida social e afetiva inexistentes ou inexpressivas; e falta de apoio familiar. Depois de uma gama de situações tão complexas, é evidente que terá dificuldades para se encaixar, se atualizar e deslanchar, ao retornar às suas atividades intelectuais, ao ambiente acadêmico e ao mercado de trabalho. É provável que chefes, colegas e professores, possam não compreender alguns sinais, atitudes e situações, havendo atrito de ambas as partes.

Outra coisa passível de interpretações distorcidas ou não codificação, seria a cosmovisão. Exemplo: Pessoa cristã em ambiente secular. Apesar do cristianismo ser bastante conhecido atualmente, sempre haverá um choque entre as duas realidades. Até porque não é todo mundo que compreende a fundo essa ou outras religiões. O mundo tem muitas vezes, visões distorcidas ou errôneas de certas doutrinas. Tem pessoas que acreditam, por exemplo, que cristão é capacho, por causa de versos mal interpretados. Quando, um cristão demonstra então, sentimento de valor próprio ou liberdade interior, causa-se desconforto para aquele que acredita ter o direito abusivo de pisar em cima e fazer o que bem lhe entende. Outros versos distorcidos seriam os relativos à santidade. Algumas pessoas pensam que as águas do batismo têm algum poder sobrenatural que quando a pessoa se batiza, vira santa. Quando o batizado, porém, comete algum erro ou percebem-se defeitos, julga-se a própria religião como sendo desprovida de verdade, sendo que na verdade, só é cristão aquele que se percebe pecador e necessita da graça de Cristo justamente por isso. Outro exemplo seria a humildade. Para um cristão essa deve ser uma questão muito clara, mas o mundo a desconhece: “Esse cidadão é um retardado, porque se não está se promovendo e sendo ambicioso, e se não fala de si mesmo e do que sabe, e se não se sobressai sobre os menores do que ele, controlando, dominando, criticando quem sabe menos, numa posição de superioridade, e se não está sempre se explicando quando eu solicito ou quando é necessário, deixando outros falarem o que querem de si mesmo; que raio de pessoa é esse trouxa..?!” Outra: O silêncio... O mundo é barulhento... Todos querendo falar de si e sem capacidade para ouvir... Um dos grandes segredos da vida, é saber observar mais do que falar... As pessoas que observam mais, aprendem mais... E observar mais, falar menos e orar mais é um dos grandes segredos ensinados por Jesus... Não só o falar na medida certa, mas o próprio silêncio... Jesus silenciou em muitos momentos quando o que se esperava dEle, era que falasse:

  • Quando esperavam que acusasse a mulher adúltera, ele simplesmente ficou em silêncio e apenas começou a escrever...
  • Quando cruzou com o olhar de Pedro, que o havia negado, Ele apenas olhou em silêncio para ele em amor, levando-o ao arrependimento...
  • Ao ser interrogado, em determinadas situações, permaneceu em silêncio...
  • Ao ser crucificado, impressionante e dolorosamente, sofreu em silêncio...

Última: Há tempo para tudo... Um dos versos mais sábios da bíblia, são os versos de Eclesiastes 3:


“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de jogar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.” Ecl 3:1-8


Diferente de certas filosofias, como: “Nunca aceite um não como resposta!”. O não faz parte do crescimento... Você não pode achar, por exemplo, que uma mulher deve sempre ceder às suas investidas, ou aceitar seu pedido de namoro, ou casamento, só porque você insistentemente está “malhando pra ela”, ou sendo “cavalheiro” enviando flores e falando “muito educadamente”, ou porque você “a ama” e acha que é a mulher da sua vida... A sabedoria está em saber que se você fez a sua parte e não deu certo, é porque não é a hora certa... Ou: “Precisamos quebrar as caixinhas de poder...” e “Quem não se enquadrar vai ser engolido pelo sistema...”. Essas, segundo o cristianismo, demonstram-se filosofias abusivas... Nele, os fins não justificam os meios, porque representam dano alheio, apesar de supostamente, visarem a coletividade... A sabedoria está em orar por direção, fazer a sua parte e deixar nas mãos de Deus a conclusão, confiando que Ele fará o melhor, no momento certo...

Todos esses tipos de situações, podem causar dificuldades de codificação e más interpretações por quem não está nos mesmos níveis do suposto codificado, ao passo que o mesmo, por causa dos mesmos motivos, pode também ser portador de obstáculos psiquico-emocionais para exercer o seu eu, elucidar-se, como também estar sendo objeto de julgamento ou perseguição por causa de crença, sejam cristãs, de outras denominações ou filosóficas...

Vamos, portanto, observar mais, falar menos e orar mais... E procurar ser compreensivos no sentido de diminuir distâncias de comunicação e entendimento; buscando errar menos por causa dos maus julgamentos...


Rosely T. Sales


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Amazing - Steven Tyler (Aerosmith)


Steven Tyler performs Amazing at Recovery Drug Rehab. O vocalista do Aerosmith se emociona ao cantar para os amigos na clínica para tratamento da dependência química da qual esteve internado.
A arte traduz a vida! It's amazing!

https://www.youtube.com/watch?v=RAZDJUkN7UU


sábado, 2 de dezembro de 2017

Ira é pecado ou esperado...?



Tem se falado por aí sobre a IRA! Mas o próprio Deus também se IRA!!!! Com o MAL...!!!! Com a INJUSTIÇA...!!!!

Quantos homens, afinal, têm-se levantado para defender mulheres ao invés de serem os próprios agentes do diabo...?!!! Quantos homens na igreja, na família e na sociedade têm sido HOMENS de verdade, no sentido pleno da palavra, e se levantado verdadeiramente contra o MAL...?!!! Contra a INJUSTIÇA...?!!!

Eles pensam, mas SÓ PENSAM, que estão fazendo a coisa certa... Mas a verdade é que a maioria não tem nem inteligência, nem experiência, nem maturidade, nem espiritualidade, nem informação e nem conhecimento da Verdade suficientes,  pra fazer isso...!!!!

Falam de boca cheia, que o cristão deve perdoar (como já vi um ancião machista e safado fazer) sendo que a hora não era hora de julgamento, mas de justiça... Aí, anos depois, o tal, já um formado pastor, presencia uma cena de injustiça e descaramento e resolve agir... Pede perdão por suas muitas atitudes antigas, não somente esta, mas todas as outras, implícitas, à própria vítima... Só que com um lindo sorriso no rosto...!!! Como se todas elas não tivessem tido graves consequências e como se ele não compreendesse o alcance maligno dessas atitudes...!!! Aí no dia dessa cena, parece agir poderosamente por Deus... Mas no final, aceita suborninho de presentinho do abusador da vítima...???!!! Hã...???!!! E acha que deve ser considerado pela mesma, como um amigo...??!!! Presenciou o demônio agir diabolicamente (Frase acertadamente usada por ele...), só que no dia seguinte continua amiguinho do abusador como se nada tivesse acontecido...??!!!

Já vi amigos (anciãos, por sinal...) se abraçarem na frente da igreja num apelo, e rirem sutil e debochadamente da cara de certa pessoa, se acobertando num gesto “lindo” de amizade... Canalha...??!! (Hã...??!!!) Como se não fossem os responsáveis, escolhidos pela própria igreja, para serem os instrumentos de Cristo na vida dos membros ali...??!!

Já vi um pastor (titular...) provavelmente mais conhecedor do que o resto dos membros ali, de certa realidade de um membro de sua própria igreja, agir covardemente... Ao invés de ter inteligência e hombridade suficientes para executar o seu próprio ofício dignamente, até pela própria vantagem informativa e... Formativa...? (o cidadão parece que fazia um certo curso... Na PUC...???!!! Hã...??!!!)

E esses caras... Pastores... Que sobem lá no púlpito... Pregam e falam muitissimamente bem... Têm o dom da oratória... Sabem escrever... Entendem e gostam de música e poesia... Conhecem melhor do que muitos outros, a Verdade, porque são talentosos... Mas parece que não conhecem também, que existe uma coisa chamada IRA DIVINA...!!! Se não Deus não destruiria ninguém, sem consideração às suas infinitamente amadas criaturas... E deixaria abusadores, perseguidores, conviverem juntamente com os justos, no céu... Ou seja, o mal nunca acabaria... Parece que não entendem, não compreendem, que anos, décadas, de sofrimento, podem produzir uma carga emocional TÃO violenta, mas TÃO desumanamente enraizada e enlouquecedora, que é impossível, esperar dessas pessoas, que não sintam IRA!!!! Que é impossível esperarem que se fale de amor, quando não foi isso o que se foi experimentado por muito tempo...!!! E justamente pelos possuidores da... VERDADE...??!!! (Hã...??!!!)

Acho que só me resta mesmo, orar, mas orar muito e fervorosamente, pra que Deus, nos vingue verdadeiramente... Pra que Ele faça com que tais pessoas e todas as outras generalizadamente caracterizadas aqui, sejam acometidas das MESMAS injustiças, das MESMAS perseguições, das MESMAS enlouquecedoras doenças, que as suas vítimas, ou membras, ou ovelhas, ou colegas de grande conflito...

Que Deus nos vingue...!!!



“O Senhor é Deus zeloso e vingador; 

o Senhor é vingador e cheio de furor; 

o Senhor toma vingança contra os seus adversários, 

e guarda a ira contra os seus inimigos.

O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, 

e ao culpado não tem por inocente...” 

Naum 1:2,3



Rosely T. Sales

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Existe “ideologia de gênero”?


(Foto: Jimena Furlani/Reprodução)

Em entrevista pública, a doutora em educação Jimena Furlani, que desenvolveu extensa pesquisa sobre o assunto, explica os equívocos do conceito.

O debate sobre a inclusão dos temas de gênero e sexualidade nos planos de educação (nacional, estaduais e municipais) foi um dos principais fatores de ascensão do Escola Sem Partido, como admite seu fundador Miguel Nagib: “A tentativa do MEC e de grupos ativistas de introduzir a chamada ‘ideologia de gênero’ nos planos nacional, estaduais e municipais de educação ‒ o que ocorreu, principalmente, no primeiro semestre de 2014 e ao longo de 2015 ‒ acabou despertando a atenção e a preocupação de muitos pais para aquilo que está sendo ensinado nas escolas em matéria de valores morais, sobretudo no campo da sexualidade”, disse o procurador em entrevista a Pública (a reportagem pode ser lida aqui). Para quem não se lembra, a bancada evangélica, senadores, deputados estaduais e vereadores evangélicos, católicos e conservadores conseguiram, após campanha fervorosa, vetar o termo “gênero” do Plano Nacional de Educação (PNE) e, então, dos planos estaduais e municipais de educação de todo o país. Na época, era possível encontrar militantes pró-vida gritando “não ao gênero” diante de assembleias legislativas e pastores televisivos como Silas Malafaia, o deputado do PSC Marco Feliciano, o deputado do PP Jair Bolsonaro e o senador Magno Malta do PR bradando contra a “ideologia de gênero”, que traria a destruição da família e a doutrinação de crianças. A CNBB, na época, também divulgou nota afirmando que a ideologia de gênero “desconstrói o conceito de família, que tem seu fundamento na união estável entre homem e mulher”. Nas missas e cultos, cartilhas foram distribuídas alertando pais e mães sobre o perigo silencioso que rondava suas casas – seus filhos seriam doutrinados a virar “outra coisa” que contrariasse seu sexo biológico. Mas o curioso é que “ideologia de gênero” não aparece nenhuma vez nos planos de educação ou nos estudos de gênero, e o termo nunca foi usado pelas ciências humanas. O texto vetado colocava como meta “a superação de desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. Intrigada com isso, a professora doutora Jimena Furlani, da Universidade do Estado de Santa Catarina, que atua na formação de educadores e profissionais da saúde e segurança pública para as questões de gênero, sexualidade e direitos humanos, desenvolveu uma extensa pesquisa, que publicou em uma série de vídeos (que você pode ver aqui). Em entrevista à Pública, ela conta que se espantou ao de repente “acordar ideóloga de gênero e doutrinadora de crianças” e por isso começou essa investigação. Leia a entrevista:

O que é “ideologia de gênero”, afinal? De onde ela surgiu?
A ideologia de gênero é um termo que apareceu nas discussões sobre os Planos de Educação, nos últimos dois anos, e tem sido apresentado a nós como algo muito ruim, que visa destruir as famílias. Trata-se de uma narrativa criada no interior de uma parte conservadora da Igreja Católica e no movimento pró-vida e pró-família que, no Brasil, parece estar centralizado num site chamado Observatório Interamericano de Biopolítica. Em 2015 especialmente, algumas pessoas se empenharam em se posicionar contra a “ideologia de gênero”, divulgando vídeos em suas redes sociais: o senador pastor Magno Malta, o deputado Jair Bolsonaro, o deputado pastor Marco Feliciano, o pastor Silas Malafaia, a pastora Damares Alves, a pastora Marisa Lobo. Meus estudos mostraram que o termo é usado em 1998, em uma Conferência Episcopal da Igreja Católica realizada no Peru, cujo tema foi “A ideologia de gênero – seus perigos e alcances”. Parece que seus criadores se baseiam em dois livros para compor essa narrativa chamada “ideologia de gênero”: primeiro, no livro de Dale O’Leary intitulado Agenda de gênero, de 1996. O’Leary é uma militante pró-vida que participou das Conferências da ONU (do Cairo em 1994 e de Pequim em 1995) como delegada. Ela faz um relato dessas conferências, descreve, sob o seu ponto de vista, a ação das feministas em apresentar o conceito gênero e como, a partir dali, a ONU assume a chamada perspectiva de gênero para as políticas públicas sobre os direitos das mulheres. O outro referencial usado na construção dessa narrativa é o livro de Jorge Scala, cuja primeira edição é intitulada Ideologia de gênero: o gênero como ferramenta de poder, de 2010, que no Brasil, curiosamente, é intitulado Ideologia de gênero – o neototalitarismo e a morte da família, de 2015. O autor é um advogado argentino, conhecido defensor de causas antiaborto e contra os direitos das mulheres, membro do movimento pró-vida, que apresenta uma série de interpretações dos estudos de gênero, extremamente problemáticas e convenientemente articuladas para desqualificar tais estudos e apresentá-los como danosos para a sociedade. Portanto, parecem ser esses os principais referenciais usados na criação da narrativa chamada “ideologia de gênero”, que nos últimos dois anos vem sendo divulgados e exaustivamente repetidos em vídeos, textos, cartilhas, documentos da CNBB, palestras etc. Uma retórica que afirma haver uma conspiração mundial entre ONU, União Europeia, governos de esquerda, movimentos feminista e LGBT para “destruir a família”, mas que, em última análise, objetiva, sim, propagar um pânico social e voltar as pessoas contra aos estudos de gênero e contra todas as políticas públicas voltadas para as mulheres e a população LGBT, sobretudo nas questões relacionadas aos chamados novos direitos humanos, por exemplo, no uso do nome social, no direito à identidade de gênero, na livre orientação sexual.
E qual a diferença entre ideologia de gênero e estudos de gênero?
Primeiro, entender que todos nós seres humanos possuímos um sexo e um gênero. Enquanto o “sexo” é o conjunto dos nossos atributos biológicos, anatômicos, físicos e corporais que nos definem menino/homem ou menina/mulher, o gênero é tudo aquilo que a sociedade e a cultura esperam e projetam, em matéria de comportamento, oportunidades, capacidades etc. para o menino e para a menina. O conceito gênero só surgiu porque se tornou necessário mostrar que muitas das desigualdades às quais as mulheres eram e são submetidas, na vida social, são decorrentes da crença de que nossa biologia nos faz pessoas inferiores, incapazes e merecedoras de menos direitos. O conceito gênero buscou não negar o fato de que possuímos uma biologia, mas afirmar que ela não deve definir nosso destino social. Originalmente, as reflexões acerca da influência da sociedade e da cultura, no conjunto das definições que nos dizem o que é “ser homem” e o que é “ser mulher”, se iniciaram nas ciências sociais e humanas, como sociologia, história, filosofia e antropologia, mas, hoje, os estudos de gênero se constituem num campo multidisciplinar, composto por várias abordagens e presentes em todas as ciências – nas naturais, nas exatas, nas jurídicas, nas da saúde, nas da comunicação, do esporte etc. Hoje os estudos de gênero se aproximam também das discussões com outras identidades, como raça-etnia, classe social, religião, nacionalidade, condição física, orientação sexual etc., sendo, por isso, chamados de estudos de interseccionalidade. O conceito gênero permite, ainda, explicar os sujeitos LGBT, especialmente os sujeito trans, na medida em que discutem, por exemplo, a identidade de gênero e o uso do nome social. Portanto, a perspectiva de gênero está na base dos novos direitos humanos e na justificativa das políticas de amparo às mulheres que repercute nas discussões acerca do conceito de vida e das leis sobre direitos sexuais e reprodutivos, e aborto e à população LGBT. Sem dúvida, se considerarmos que o conceito gênero permite as discussões acerca da posição da mulher na sociedade, da aceitação dos novos arranjos familiares, das novas conjugalidades nos relacionamentos afetivos, ampliação da forma de ver os sujeitos da pós-modernidade e no reconhecimento da chamada diversidade sexual e de gênero, então, não há campo do conhecimento contemporâneo mais impactante e perturbador para as instituições conservadoras e tradicionais que os efeitos reflexivos dos estudos de gênero. Isso nos faz entender porque o empenho tão enfático, persistente e até, em algumas situações, antiético das instituições que criaram e divulgaram essa narrativa denominada “ideologia de gênero”. Na minha opinião, há usos distintos da chamada “ideologia de gênero”. Parece que, no âmbito da cúpula da Igreja Católica, trata-se de uma questão dogmática e relacionada aos valores da ideologia judaico-cristã, que, segundo seus representantes, estariam sendo ameaçados pelo conceito gênero por causa das mudanças no comportamento das mulheres e nas leis sobre aborto, por exemplo, da aceitação das várias famílias e do reconhecimento dos direitos da população LGBT. Outro uso vem de representantes evangélicos: embora existam aqueles católicos que se aproveitam eleitoralmente dessa narrativa, usar a “ideologia de gênero” e sua suposta “ameaça” às crianças e à família tem sido mais presente em candidatos evangélicos – vide a chamada bancada cristã, que não apenas no Congresso Nacional, mas em todos os legislativos do país, deve aumentar, nas próximas eleições, à custa de campanhas cujo foco de “convencimento” deverá ser combater a ideologia de gênero.
E são os evangélicos que mais combatem a ideologia de gênero no Congresso…
Muitos pastores, em 2015, lançaram vídeos falando a respeito da ideologia de gênero, “explicando sua ameaça” às crianças e às famílias, com argumentos, visivelmente idênticos, em falas que não diferiam muito e confundiam e alarmavam mais do que explicavam o conceito gênero. Diziam coisas como: “Segundo a ideologia de gênero, você não vai mais poder dizer que é menina ou menino; a escola vai te doutrinar dessa forma. Tudo isso porque querem destruir sua família”. Dando continuidade à explicação, afirmavam: “Eles (os perversos ideólogos de gênero) querem negar nossa biologia”! Esse argumento da negação da biologia não é apenas absurdamente equivocado em relação aos estudos de gênero, mas constitui-se num ato deliberado de má-fé – uma desonestidade intelectual daqueles que criaram e divulgam a ideologia de gênero no Brasil. Os estudos de gênero não negam a biologia por um motivo muito simples: é preciso que ela exista para que possamos dizer que gênero é tudo o que não é biológico, ou seja, gênero difere da biologia, gênero é um conceito da sociedade e da cultura, gênero é, exatamente, o contrário. Não faz nenhum sentido dizer que os estudos de gênero negam a biologia; os estudos de gênero discordam é do determinismo biológico – quando a biologia é utilizada pra definir nosso destino social. Tenho que admitir que a construção dessa estratégia foi muito inteligente! Destaca-se o brilhantismo em construir uma narrativa, suficientemente ameaçadora para sociedade, na medida em que ela se volta para a criança e a família no seu intuito destruidor. Não há nada que mobilize mais as pessoas, principalmente pais e mães, do que alardear que “algo” ameaça suas crianças e que há um complô mundial para destruir sua família.
Se a ideologia de gênero foi um projeto do PT, quer dizer que, com a saída do PT do governo, ela não existe mais?
Palavras como gênero, identidade de gênero, orientação sexual e educação sexual foram excluídas dos planos nacional, estaduais e municipais de educação. O suposto pernicioso governo federal, o partido político e suas políticas de educação foram igualmente banidos do poder e do MEC. Para conter os revolucionários professores, especialmente aqueles que possuem sensibilização com o respeito às diferenças e discutem as formas de preconceito no cotidiano escolar, busca-se aprovar o projeto Escola Sem Partido – aliás, excelente aliado daqueles que criaram e divulgam a existência da ideologia de gênero. Se o governo do PT que criou a ideologia de gênero não está mais no poder, se tudo está sob controle e as políticas de educação do MEC, os livros didáticos e a formação de professores não mais conterão a perspectiva de gênero, então, por que é preciso manter vivo esse monstro? Por que pastores continuam dizendo em seus vídeos, missas, cultos que irão combater a ideologia de gênero? Primeiro, para manter a assustadora narrativa ideologia de gênero. Segundo, para apresentar-se como paladino da justiça, como aquele que vai combater e defender as criancinhas e a família brasileira da ideologia de gênero. Terceiro, para assim pedir o voto e se eleger. Quarto, para, ao ser eleito, impedir ou fazer retroceder conquistas, nas leis, para mulheres, a população LGBT e o reconhecimento das religiões de matrizes africanas; e, quinto, para aprovar leis como o Estatuto da Família, alterar a Constituição Federal, instituir uma teocracia cristã no Brasil. Sim, estou bem pessimista. A ideologia de gênero se tornou um excelente cabo eleitoral, e não há nenhum interesse em mostrar para as famílias, pais e mães, que não há nenhuma ação concreta que busque a destruição da família e que ninguém na escola vai dizer que um menino não é menino ou que uma menina não é menina.
E tudo vem no mesmo pacote, né? O Estatuto da Família, a proibição da discussão de gênero. O Escola Sem Partido também vem junto nesse projeto?
Uma análise que podemos fazer é entender que o tempo presente reuniu, conforme a expressão de Michel Foucault, “condições de possibilidades históricas” para que esse movimento conservador tivesse tanta projeção no Brasil. O senhor Miguel Nagib cria o Escola Sem Partido no ano de 2004 e, praticamente por dez anos, não houve uma projeção nacional de seu movimento. Nos últimos anos, o descontentamento com o governo federal, somado à convergência de inúmeras críticas e análise conjunturais, em vários campos, como economia, política e educação, favoreceu o surgimento e a união de forças conservadoras e tradicionais contra as políticas de igualdade, respeito às diferenças, direitos humanos e políticas afirmativas. Penso que a questão é muito mais complexa do que parece. Poderíamos, inclusive, polarizá-la entre a discussão de distintos projetos de governo e de visões de mundo: de um lado, os de direita e, de outro lado, os de esquerda. Precisamos falar sobre isso!
O que significa, na prática, tirar a discussão de gênero dos documentos oficiais?
Nas discussões e aprovações dos Planos de Educação ficou evidente que combater a “ideologia de gênero” significava retirar de qualquer documento as palavras gênero, orientação sexual, diversidade sexual, nome social e educação sexual. Mesmo que as palavras, nas frases, não implicassem nenhuma ameaça objetiva, evitar que as palavras fossem visibilizadas na lei certamente dificultaria aqueles que pretendessem trabalhar esses temas na educação, e, sem muitos argumentos, as palavras foram excluídas. No entanto, é preciso lembrar que retirar essas palavras da lei não elimina os sujeitos da diversidade sexual e de gênero do interior da escola brasileira e de todas as sociedades humanas. Crianças e jovens, assim como professores, pais e mães, possuem suas identidades de gênero, são sujeitos de afetos e convivem num mundo diverso. Aliás, não é a existência do conceito de gênero que “fez surgir” na humanidade pessoas homossexuais, travestis, lésbicas, transgêneros, transexuais ou bissexuais, por exemplo. Os estudos de gênero existem para estudar esses sujeitos, compreender a expressão de suas identidades, propor conceitos e teorias para sua existência e ajudar a construir um mundo onde todos/as se respeitem. Da mesma forma, não foi a existência do conceito gênero que “transformou” as mulheres em contestadoras. A condição histórica e material, de subordinação e de sofrimento existencial, das mulheres, em todas as culturas, é que as impulsionou e impulsiona a lutar pelas mudanças sociais que lhes garantam uma cidadania mais plena. O conceito de gênero pode ser banido do planeta, que mesmo assim a humanidade continuará se expressando em sua diversidade e buscando direitos humanos para todos.
E nessa briga vale tudo, né? Inventar cartilhas falsas, falar que é contra “gênero” sem nem saber do que realmente se trata…
As cartilhas foram apócrifas e anônimas. Eu fiz um documento-análise e no primeiro eu disse que ninguém sabia quem era, não tinha data nem gráfica. No inicio deste ano, eu descobri em um vídeo do professor Felipe Nery que a cartilha foi elaborada no Observatório Interamericano de Biopolítica. Você não tem na historia alguém que cria uma teoria e não assume essa teoria. E, pior, transfere essa teoria para os outros. Quando começou essa história de “ideologia de gênero”, eu acordei, de um dia para o outro, ideóloga de gênero, doutrinadora de crianças. Isso me motivou a iniciar pesquisas para entender de onde veio isso. Eu sempre falo que todo mundo já ouviu falar que os seres vivos se modificam ao longo do tempo num processo que se chama evolução e que transmitem isso aos mais aptos, e eu vou perguntar quem disse isso e as pessoas vão me responder Charles Darwin, e quem concorda com isso é chamado darwinista. Agora, a ideologia de gênero eles não assumiram que inventaram. A gente que tem que descobrir e contar para as pessoas que isso não existe nos estudos de gênero, que é uma interpretação propositalmente construída de forma negativa. As cartas não estão na mesa, eles não assumem que ninguém está doutrinando crianças na escola, que eles querem que não se fale de gênero na escola para que as crianças não acolham os sujeitos da diversidade, para que não aceitem que as pessoas possam ser vistas definitivamente sem preconceito. Que eles não aceitam os direitos humanos ampliados. Tem um vídeo que, ao mostrar um casal de transexuais, vem um comentário de que se trata de uma aberração humana, já que Deus criou o homem e a mulher. A gente conclui dele que eles são contra o conceito gênero porque Deus não criou travesti, transexual, transgênero, e, por isso, essas pessoas não merecem ter direitos.
E as pessoas são enganadas nessa confusão.
É claro que eles não acham que vão estar garantidos só com a confusão teórica que fazem. Eles condenam uma série de palavras que dizem fazer parte do pacote de ideologia de gênero para doutrinação das crianças e destruição das famílias. Eles condenam as palavras diversidade, homofobia, perspectiva de gênero, identidade de gênero, tudo que a gente tem utilizado para que as pessoas entendam a discussão dos direitos e da diversidade. E aí a pergunta é: “Qual é a proposta de acolhimento de vocês pra esses sujeitos, então? Ou querem fazer como aquele candidato à Presidência da República e mandar todo mundo para uma ilha?”. Eles querem que essas pessoas sumam, mas não assumem isso. O Escola Sem Partido ajuda a manter esse discurso de proibição da discussão e de segregação e, por isso, recebeu atenção.